
Retrato: Gesto
Nunca, em lado nenhum, se repete. É um gesto. Uma forma qualquer que tem de se erguer. Uma força, um movimento de braços e de ancas. O corpo ergue-se, vertical, perfeito. As mãos tomam o apoio de qualquer coisa. O olhar fixa-se sobre todos os lugares. Percorre o espaço. Faz-se imenso, perfeito, inquietante. Entra e sabemos que entrou na sala alguém mais importante que o tempo. Alguém por quem se espera. Alguém por quem a vida esperou, a nossa vida, a vida inteira. Nada há que defina cada gesto ou cada pensamento. É um estar. Como um respirar de ar fresco. Como um copo de água num dia quente. Uma necessidade de saber que existe, que está, que está perto. Um urgente soluçar entre os instantes. Assim, surge a vida, em cada gesto, desejado.